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EMPREENDEDORES OU DESESPERADOS

29/09/2017

Adriano Boscatte

Diariamente somos bombardeados com informações e notícias na televisão, jornais, revistas e em sites variados sobre um assunto que está sob os holofotes no momento atual: o empreendedorismo.

Existem estudos, pesquisas e estatísticas que mostram que o brasileiro é o povo mais empreendedor do mundo. Segundo fonte de uma das revistas mais conceituadas do Brasil, três em cada dez brasileiros entre 18 e 64 anos possui uma empresa ou estão envolvidos com a criação de um negócio próprio. São 27 milhões de pessoas que abandonaram ou perderam um emprego para investir no sonho de ser empresário.

O que normalmente não é divulgado com tamanha frequência e ênfase é o fato de que de cada dez novas empresas, seis fecham as portas antes de completarem 5 anos. Segundo o IBGE, das 694.500 empresas abertas em 2009, apenas 275.000 estavam em funcionamento em 2014. Destas, 157.000 fecharam as portas ainda no primeiro ano.

E por trás dessas empresas existem famílias que ficam arrasadas, sonhos que ficam pelo caminho e muitas vezes uma vida de sacrifício e economia de décadas desaparecendo em pouco tempo e levando junto a motivação e a auto estima dos envolvidos.

Qual seria então a vantagem de ser o país mais empreendedor do mundo o mesmo lugar onde se fecham mais empresas de forma precoce ?  Vejo de forma sensacionalista a exposição do assunto.

Montar um negócio por vocação, tradição familiar, oportunidade é uma coisa. Por necessidade é outra. Normalmente, e principalmente em momentos de instabilidade econômica, quem se torna empreendedor por necessidade, devido a perda do emprego, por exemplo, precisa do retorno já no mês seguinte, pois as contas não esperam a empresa amadurecer. E nenhuma empresa, te dará esse retorno tão rápido. Inicia-se então o processo curto para seu fechamento ou falência. E nesse caso, normalmente, permanecem as dívidas oriundas do negócio mal planejado.

A imagem do empresário, normalmente é relacionada a luxo, carros caros, viagens ao exterior, hotéis, restaurantes. Raramente se relaciona ao trabalho duro e estressante do dia a dia, cheio de incertezas e dificuldades, sem horário definido ou intervalo de almoço. Sem férias ou descanso remunerado e sem nenhuma garantia de que no final do mês lhe sobrará algum dinheiro. No entanto, divulgar isso não dá audiência. É mais fácil manter o personagem do que frustrar toda uma nação com a informação de que o empresário é de carne e osso e sofre do mesmo jeito ou até mais que o colaborador que trabalha para ele. Um tem garantias o outro nenhuma.

Mas, contudo, ainda sou um entusiasta e defensor do empreendedor. Fui empresário do varejo durante 25 anos e conheço todas as etapas do processo. Sonho, planejamento, amadurecimento, execução, nascimento, crescimento, consolidação, reconhecimento, status, retração, reestruturação, reinvenção. Entre cada uma destas palavras, leia-se trabalho, dedicação, foco. Sempre vi a obrigação como ponto de partida enquanto a maioria dos meus concorrentes via como ponto de chegada. Criei uma prioridade, e prioridade é uma palavra sem plural. Persegui insistentemente meu objetivo e fiz da gestão minha empresa uma escola onde aprendi tudo que sei hoje, de bom ou não. Sorri, chorei, sofri, conquistei, estudei, aprendi, ensinei, rodei uma parte do mundo estudando e aprendendo. Vivi intensamente a experiência de ser um empreendedor. Aprendi na prática e posteriormente, com a teoria, fiz os ajustes necessários.

Hoje, num mundo tão veloz, de inovação, de tecnologia e de tendências que surgem e desaparecem em semanas, onde a maior empresa de transporte de passageiros do planeta não tem um veículo sequer e a maior fornecedora de hospedagem nunca levantou uma parede ou onde uma startup que nasce hoje, é acelerada amanhã e no mês que vem vale 100 milhões de dólares, as coisas que vejo em comum são o PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO E GESTÃO.

E ainda que se coloque a culpa no governo, na economia, no imposto elevado, na legislação trabalhista, no funcionário, no sócio ou em qualquer outra coisa que sirva de desculpa, o problema verdadeiro é a falta de GESTÃO. Porque de cada 10 empresas que abrem 6 fecham e 4 continuam. Será que para essas que prosperaram não existiam as dificuldades ?  Ou será que elas estavam preparadas para elas ?

Você quer montar um negócio e ser um dos quatro que prosperam ?

Acredite, com consciência e organização, fica mais fácil alcançar suas metas e conquistar seus sonhos com tranquilidade. Não existe mágica, existe experiência e muita motivação para transmitir o conhecimento e eliminar passos na sua caminhada. 1,2,3,4. Qual delas será a sua empresa ?

Conte comigo.

Na próxima edição o primeiro passo:  SONHAR .... e acredite, até para sonhar é preciso planejamento.