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JÁ TEMOS MUITOS BALÕES DE ENSAIO

13/03/2018

Eimar Fonseca / AGÊNCIA 9dades

A intensa ofensiva negativa que o sistema político vem sofrendo, frutos dos escândalos de corrupção revelados pela Lava Jato dificulta qualquer projeção para os pleitos estadual e presidencial neste ano. Contudo, quem sabe olhar a política com um pouco mais de realidade dá para afirmar que muitos nomes cogitados não possuem a “cancha” necessária para um enfrentamento mais consistente na arena eleitoral. Numa disputa pelo governo de Minas e pela presidência da República, por mais que o marketing domine, é necessário que os candidatos tenham, senão um programa, ao menos uma capacidade argumentativa que possa ser filtrada pelo eleitorado. O candidato tem que saber falar a linguagem do povo. Esse povo que tem um celular e nele está conectado com o mundo. E esta conectividade, pode ser essencial na hora do voto. No Brasil como um todo, o eleitor presta pouca atenção no cenário político. As informações ficam para as rodas de conversas informais e uma ou outra manchete nos jornais populares são elementos que ajudam a consolidar a decisão de voto, que muitas vezes ocorre até horas antes da abertura das urnas. Se do ponto de vista do eleitor é um tempo mínimo, do ponto de vista do candidato é uma eternidade. Cabe ao candidato não apenas transmitir imagens positivas, como neutralizar a propaganda negativa dos demais concorrentes. A campanha de Marina em 2014 é um exemplo interessante. Lançada com todo estardalhaço, mas após a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, não conseguiu capilaridade para se manter. O candidato Pimenta da Veiga também foi um balão de ensaio que gestado pelo ex-governador Aécio Neves, não conseguiu subir mais do que começou a campanha. Esses são apenas dois dos vários exemplos que poderiam ser citados para ilustrar O quão árido pode ser uma experiência na arena eleitoral. Mas há também um aspecto positivo: o teste de resistência de uma campanha estadual e ou presidencial pode, na maioria das vezes, promover uma “seleção natural”, retirando do páreo os aventureiros. Com a eminente prisão do ex-presidente Lula, todos se acham na condição de governar o Brasil. Os chamados “outsiders” depois da eleição do Kalil e do Dória e do Trump querem de todas as maneiras ocupar espaços. Mas mesmo, os “de fora” da política têm que ser políticos para costurarem acordos que visem suas eleições. Não se faz mais política amadoramente. O ringue das eleições é para os preparados. Desta forma, até o encerramento dos prazos para registro de candidaturas, muitos balões de ensaio deverão ser lançados. Resta saber quais desses terão combustível para percorrer o trajeto até outubro de 2018.